- A História do Cachorro: >
Vamos ver se a história a seguir comove você:
Um dia eu estava caminhando numa dessas ruas movimentadas cheias de revendas de carros (isso foi logo após meu casamento
ter sido cancelado) e achei um cachorro órfão na rua. Um cachorro preto, peludo, com olhos verde-avermelhados. Eu meio que
me senti órfão também, então eu peguei alguns balões que estavam amarrados a um poste em uma revenda
e amarrei eles na coleira do cachorro. Eu decidi, então, que ele seria meu cachorro. Eu dei a ele o nome de Bigelow.
Nós fomos comprar alguns Biscrocks para o Bigelow e, depois, seguimos para minha casa, onde nós poderíamos sentar em
cadeiras reclináveis e ouvir Zygotic Mynci de Gorky. Ah, e nós também teríamos que parar em um bazar para comprar uma cadeira
reclinável para o Bigelow.
Mas Bigelow não tinha me aceitado como seu mestre. Então, cinco minutos depois, aquele cachorro estúpido mudou de calçada
e eu o perdi. Logo, considerando que ele já esteve perdido uma vez, com essa eram duas.
Eu diminuí o passo em direção a uma vida de Biscrocks e uma cadeira reclinável extra. Eu tive um cachorro por cinco minutos.
Estúpido cachorro traidor. Eu me sentei num banco e joguei pinhas em uma estátua de três ovelhas
atravessando uma ponte. Depois disso, eu chorei por horas. As lágrimas simplesmente vieram. Agora existe algo comovente
para começar.
Eu imagino onde foram parar aqueles balões. Aquele cachorro maluco parecia uma festa com patas.
Não foi muito depois que eu fiz meu próprio Bigelow. Eu imprimi um bando de páginas sobre Ruby. Artigos
achados na Web. Eu dei uma olhada neles no trem indo para casa um dia. Folheei elas por cinco minutos
e desisti. Não me impressionou.
Eu sentei, olhando para o mundo através da janela, um liquidificador gigante misturando grafite e
ferro derretido bem na minha frente. _Este mundo é muito grande para uma linguagem tão pequena_, pensei.
_A pobrezinha não tem chance. Não tem pernas para se sustentar. Não tem braços para nadar._
Lá estava eu. Um pequeno homem em um frágil e pequeno trem (e eu ainda tinha
um dente-de-leite naquela época) em meio a bilhões de pessoas vivendo numa bola azul
flutuante. Como eu posso enfrentar Ruby? Quem me garante que eu não vou morrer engasgado
com meu celular mais tarde naquela mesma noite? Why está morto, Ruby ainda vive.
A lápide:
bq. O que é isso na traquéia dele?
Oh, olha, um Nokia!
É só a minha sorte. Finalmente vou ter um gostoso e duradouro cochilo embaixo da terra, só para ser constantemente
incomodado pela _Canône de Pachelbel_ tocando incessantemente no meu estômago.