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Quando passou você não viu Tokyo! Então prepare-se para se impression…

…ar com três diretores top de linha.
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Caloni committed Jun 12, 2019
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date: 2019-06-11T23:22:06-03:00
title: "Tokyo!"
desc: "Tokyo! França, Japão, Coréia do Sul, Alemanha, 2008. Dirigido por Michel Gondry, Leos Carax e Joon-ho Bong. Escrito pelos três, com o primeiro episódio Interior Design inspirado na graphic novel de Gabrielle Bell. Com Ayako Fujitani, Ryo Kase, Denis Lavant, Jean-François Balmer, Renji Ishibashi, Yû Aoi, Teruyuki Kagawa, Naoto Takenaka."
imdb: "0976060"
categories: [ "movies" ]
stars: "5/5"
img: "https://m.media-amazon.com/images/M/MV5BNWFiYjkxNTYtNzNmZi00MTcyLWEwMzEtNmM1M2VjODFlZTE1XkEyXkFqcGdeQXVyNzI1NzMxNzM@._V1_.jpg"
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Só tem diretor foda nesse filme. Mas diretores foda podem fazer cagada de vez em quando. Felizmente não é o caso de "Tokyo!", que nos apresenta o tema cidade-título de uma maneira que [Nova Iorque](/movies/nova-york-eu-te-amo)/[Paris](/movies/paris-te-amo) Eu Te Amo nem sonham em fazer.

Mas estou sendo desonesto. Esses dois outros trabalhos de curtas em volta de uma cidade ficam mais no aspecto romântico das megalópoles. Em "Tokyo!" o espírito da cidade grande japonesa se transmorfa em diferentes formas de viver, seja em um relacionamento insatisfatório com outra pessoa, uma relação de ódio com a sociedade ou até o desejado reencontro com a humanidade em um mundo que ironicamente apesar de ter tanta gente morando por perto nos escondemos mais e mais.

Embora o estilo do diretor Michel Gondry, de [Brilho Eterno](/movies/brilho-eterno-de-uma-mente-sem-lembrancas), o puxe para trucagens na tela que o faz escolher temas como "uma pessoa se transforma em uma cadeira", ele não está preso apenas ao estilo. Habilidoso em encontrar formas de contar a história que se propõe, Gondry analisa o relacionamento de um casal em que ela está tão apagada que não consegue ter uma conversa séria com o namorado há muito tempo, e não consegue sequer conseguir um lugar para morar. Essa necessidade de ter um lar aliada à dificuldade disso em uma cidade como Tóquio se unem de uma forma que seria inadmissível em um projeto mais comercial. Aqui a liberdade artística voa longe, e nos deixa pelo menos pensativos sobre não apenas o filme, mas nossas próprias vidas. Se você vive em uma grande cidade talvez se identifique mais.

Já Leos Carax é aquele cara que vem para causar. É dele a história de Merda, um monstro que vive no esgoto da cidade e que resolve ir à superfície para declarar todo seu ódio pelas pessoas. Carax possui o controle absoluto da narrativa, como pode-se verificar nas rimas visuais com o telejornal ou a caminhada sangrenta que este monstro realiza em uma rua movimentada. A analogia com Godzilla é apenas uma primeira camada que atinge interpretações que caminham pelo terrorismo contemporâneo, intervenções norte-americanas e até uma certa dose de xenofobia. Mas tudo isso só funciona por causa do ator e sua caracterização, que nos gera empatia mesmo que ele cometa atrocidades. Os motivos pelo qual ele odeia os japoneses é uma cereja no bolo. Este é um filme que pode ser interpretado de tantas formas diferentes e o trabalho de Carax é tão intenso. Seu personagem volta a nos assombrar em [Holy Motors](/movies/holy-motors), interpretado pelo mesmo ator, queridinho do diretor, o talentosíssimo Denis Lavant.

E por fim Joon-ho Bong (O Hospedeiro) nos presenteia com uma mensagem de esperança em meio a terremotos na terra do sol nascente. Para isso ele utiliza a figura controversa de uma pessoa que não sai de casa há 10 anos e uma entregadora de pizza que o desperta para uma visão profética sobre o mundo onde somos prisioneiros desse sentimento de auto-proteção em meio às multidões. Apenas repare nesse segmento como ele utiliza uma mera sombra atrás de uma porta de vidro que se distancia como se dissolvendo e testemunhe um mestre do terror trabalhando com elementos naturais. A sequência do terremoto na rua é um marco de primor e uma das cenas marcantes daquele ano no Cinema.

"Tokyo!" não é de maneira alguma um filme fácil para as massas. Ele é interpretativo na maioria do tempo e não deixa nada muito mastigado para aquele espectador preguiçoso. Mas fala sobre a cidade, indo até além. E possui a estética e a competência de três diretores top de linha. Eles possuem pouco tempo em seus curtas, mas comprovam que para um artista completo basta meia-hora para virar seu mundo dos avessos.

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