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Nenhum a Menos é filme do diretor chinês de Herói e ensina importante…

…s lições de e para a humanidade.
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Caloni committed Jul 2, 2019
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date: 2019-07-02T18:49:16-03:00
title: "Nenhum a Menos"
imdb: "0209189"
desc: "Not One Less. China, 1999. Dirigido por Yimou Zhang, escrito por Xiangsheng Shi. Com Minzhi Wei, Huike Zhang, Zhenda Tian."
img: "https://m.media-amazon.com/images/M/MV5BNTA3NzhhNzctNTQ2MC00M2E0LThiMjctNTRlNjc5MWQ5NmNjXkEyXkFqcGdeQXVyNzA5MjIzMjA@._V1_.jpg"
categories: [ "movies" ]
stars: "4/5"
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Um filme lindo de superação, baseado em história real e a porra toda. Se passa na China. Começa em um vilarejo e termina na cidade. É uma lição de vida para todos os brasileiros que reclamam da situação precária das escolas.

Não que no Brasil não existam lugares com situação precária. Uma das lições aqui é que tudo é uma questão de em que mundo se vive. No caso da China, com bilhões de pobres camponeses, ter alguém para passar lição, mesmo que seja uma garota de treze anos que fez o primário, é válido. Pelo menos a burocracia não chega a proibir o ensino como aqui, onde ou se ensina do jeito que o MEC quer ou é melhor deixar as crianças analfabetas. Aqui basta ter giz para escrever na lousa e tá tudo certo.

Essa garota do filme, Wei Minzhi, ela começa como uma camponesa simples e ignorante, e termina assim mesmo. Isso porque o filme não quer fazer milagres com seus personagens da vida real, mas fazer o espectador pensar nessa realidade. A história vem do livro do escritor chinês Xiangsheng Shi, que assina também o roteiro. Camponês em sua vida pregressa, Xiangsheng possui a experiência e o tato para nos fazer imergir nesse mundo provavelmente desconhecido da maioria dos espectadores ocidentais. Sua história se passa nos anos 90, mas poderia muito bem ter se passado semana passada.

Wei Minzhi é mandada para um vilarejo para substituir o professor local por um mês, mas acaba perdendo um dos alunos de uma família pobre que é obrigado a ir para a cidade trabalhar. Ela vai em busca dele, mas seus motivos não parecem nobres, pois ela precisa de todos seus alunos para um dinheiro extra que o professor titular dará em troca, mas ela em breve irá refletir em como ela não está sozinha nessa luta louca contra a miséria eterna.

Ela faz seus alunos irem carregar tijolos para arrumar dinheiro para pegar o ônibus para ir buscar seu aluno perdido. Tudo se conecta no roteiro de Xiangsheng Shi de uma maneira natural, o que não é novidade, pois foi baseado em fatos reais, mas ao mesmo tempo a história possui uma universalidade útil, a ponto de não sabermos direito as intenções da garota, mas entendermos que passou a se tornar importante encontrá-lo.

O filme dirigido com um neorrealismo contemporâneo muitas vezes se limita a colocar a câmera no lugar certo e deixar o espectador analisar. Uma jornalista pede para a garota olhar para a câmera como se fosse seu aluno e falasse com ela. Apenas a visão da câmera e alguns segundos são necessários para refletirmos na frieza e distanciamento da época em que vivemos.

O diretor é o competente Yimou Zhang ([Herói](/movies/heroi), que possui um controle absoluto de sua câmera e consegue nos fazer sentir no mesmo filme entre a China medieval e o pós-abertura de mercado. Apenas alguns traços o tornam contemporâneo: referência a celulares e uso de máscaras para o ar poluído da cidade. O diretor chinês almeja um conto universal, e consegue em quase todos os seus momentos.

Ao mesmo tempo a professora tentando das formas mais erradas possíveis encontrar o aluno se torna uma mensagem que às vezes não adianta ser persistente se não há educação básica, apesar de contrariar essa mensagem minutos depois. É um trabalho de diversidade de reflexões sobre o mundo moderno e a condição do homem no pós-revolução, reflexão essa construída justamente com o material escolar tão cobiçado pelos pobres alunos do vilarejo. Note como o tema não muda: se expande.

A música tema dos créditos finais tem uma leveza de espírito necessária. Não sei como pode ter sido composta no nível da perfeição onde não é possível tirar nem por mais nada. É o que precisávamos para juntar todas essas cenas em um conto universal sobre muitas coisas que se tornaram maiores do que quando a jornada começou.

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