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| <HTML> | |
| <HEAD> | |
| <TITLE>Fonoteca Municipal de Lisboa - Espaço 1999 - A Noite Nunca se Importa</TITLE> <META HTTP-EQUIV="Content-Type" CONTENT="text/html; charset=iso-8859-1"> | |
| </HEAD> | |
| <BODY BGCOLOR="#FFFFFF"> | |
| <FONT FACE="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" SIZE="2"> <B><I><font size="3">A | |
| Noite Nunca se Importa</font></I><BR> | |
| </B><u>Por Rui Catalão</u></FONT> | |
| <P><FONT FACE="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" SIZE="2">Sub-ascensão, | |
| semi-queda e o equilíbrio trapezista da música de dança em | |
| Portugal ou ainda a história possível de um movimento à procura | |
| da sua história.</FONT></P><P><FONT FACE="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" SIZE="2">A | |
| história da música de dança em Portugal nem dez anos ainda | |
| tem. Criou-se no entanto um circuito de discotecas, bares, lojas de discos, DJ | |
| e produtores, agências de promoção e editoras. O crescimento | |
| tem sido acidental e a evolução imprevisível. O que inicialmente | |
| é uma referência ou novidade é esquecido rapidamente e por | |
| vezes nem chega a instalar-se. O período tristonho que actualmente se vive, | |
| depois da depressão que fez abanar o seu establishment, deve-se em muito | |
| ao facto de, apesar da inegável especificidade deste movimento, a música | |
| de dança nacional ser ainda subsidiária de duas grandes correntes | |
| que a inspiraram: a americana, pelo lado da produção musical, e | |
| a britânica, se tivermos em linha de conta não apenas os seus artistas | |
| mas também a sua dinâmica de espectáculos e de veiculação | |
| iconográfica. Para se ter em linha de conta esta dicotomia, basta atentar | |
| na pouco significativa penetração da música de dança | |
| alemã em Portugal, a maior produtora desta área musical na Europa. | |
| A linha alemã, apesar de ter uma forte componente popular, mais fácil | |
| de ser entendida por um público menos exigente e menos conhecedor, nunca | |
| singrou, com a ténue excepção de DJ como Sven Väth, | |
| que de qualquer maneira nunca conquistaram o protagonismo que lhes é reconhecido | |
| noutros países.</FONT></P><P><FONT FACE="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" SIZE="2">Outra | |
| grande dificuldade encontrada, nomeadamente por aqueles que se iniciam neste meio, | |
| é a de penetrarem num circuito densamente codificado, feito de relações | |
| interpessoais e de uma espécie de onda humana que se desenvolve a partir | |
| de cúmplicidades, de influências da noite, daquilo a que os ingleses | |
| chamam hype, ao ponto dos media pouco influírem nessa dinâmica. Enquanto | |
| jornalista, pude assistir a monumentais flops, apesar dos meios excepcionais que | |
| muitas vezes envolviam. Pelo contrário, soube muitas vezes à última | |
| hora (o que quer dizer, quando as festas já se estavam a realizar) de eventos | |
| onde se concentravam largas dezenas ou até milhares de pessoas. Como explicar | |
| esta discrepância? A resposta é simples: há quem conheça | |
| os meios e que os domina. A actual (ou recente) cultura underground tem os seus | |
| próprios meios, o seu circuito de contactos mais ou menos anónimos. | |
| É uma teia complexa, que envolve pessoas directa ou indirectamente ligadas | |
| à música, que escolhe a sua exclusão, e que integra as pessoas/grupos/tribos | |
| que escolhe. Esta ética da marginalidade noctívaga foi a responsável | |
| pelo crescimento da música de dança em Portugal e foi também | |
| ela que criou um impasse, quando o seu crescimento permitiu dar um passo em direcção | |
| a uma visibilidade (nomeadamente dos media), para a qual não estava preparada. | |
| O movimento da música de dança portuguesa cresceu com uma velocidade | |
| que dava indícios de uma mudança de paradigmas nos gostos musicais | |
| de um público alargado. No entanto, tal como o "boom" do rock | |
| português nos anos 80, as expectativas estavam longe de corresponder à | |
| realidade do que se tinha criado e podia desenvolver-se. Não é só | |
| a habituação do público português por que ainda tem | |
| que se esperar, é o próprio meio da música de dança | |
| que tem de concretizar a sua formação e desencantar novas formas | |
| de criatividade e sedução do público e novos valores, agora | |
| que o efeito de choque da novidade se diluiu.</FONT></P><P><FONT FACE="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" SIZE="2">Duas | |
| histórias distintas servem para ilustrar este impasse de crescimento: Na | |
| Primavera de 1997, um grupo de DJ portugueses e ingleses reuniu-se e criou A Companhia | |
| da Música, instalando-se no espaço antes ocupado pelo Climacz (uma | |
| discoteca na Estefânia onde tinha despontado três anos antes o fenómeno | |
| "after-hours" em Lisboa). A novidade que traziam era explosiva: o hardstep | |
| jungle, um novo estilo de música, rápido, agressivo e muito divertido, | |
| que aliava à complexidade e riqueza formal do drum'n'bass uma vitalidade | |
| directa que facilmente podia ser adoptada pelos ravers e noctívagos saturados | |
| com a tecno ou a house. Paul Bellamy e Zebadee eram alguns dos nomes desta equipa, | |
| que não só revelava uma grande qualidade na escolha musical como | |
| um grande apuro técnico. Para além dos after-hours, propunham-se | |
| a abrir durante as tardes, em que os miúdos podiam mais facilmente frequentar, | |
| convivendo ao mesmo tempo com uma inédita paisagem musical. As festas organizadas | |
| resultaram todas num fiasco, havia menos pessoas entre o público do que | |
| entre a equipa da casa. Numa das últimas madrugadas, encontrei um grupo | |
| de pessoas que costumava frequentar o DNA, um pequeno clube do Cacém apenas | |
| frequentado por aqueles que não distinguiam as novas formas musicais de | |
| uma certa forma de estar na noite diferente dos circuitos habituais. Eles não | |
| se integravam no que havia, criavam a sua própria atmosfera de cumplicidades, | |
| mas eram poucos e, passadas algumas semanas, A Companhia de Música fechava | |
| (mais de um ano depois, o próprio DNA fechava, dispersando-se esse grupo | |
| por alguns espaços do Bairro Alto). Ainda no mesmo ano, mas já no | |
| Verão, formava-se a Cool Train Crew, que no Johnny Guitar (rebaptizado | |
| Ciclone para o efeito) veio desencadear num jovem e diversificado público | |
| o interesse pelo jungle e pelo drum'n'bass. O calor de fornalha das sessões | |
| no Ciclone, com as pessoas quase por cima umas das outras, e os menos felizes | |
| à porta na esperança de poderem entrar, marcava um brutal contraste | |
| com o desalento de A Companhia de Música;<BR><BR>Nesse mesmo ano, depois | |
| de ir a uma festa de "Goa-trance" nos arredores de Palmela, dirigi-me | |
| a uma festa que se organizava em Brejos de Azeitão. Apesar de ser promovida | |
| por uma nova produtora de espectáculos, a VIP Club, a produção | |
| da festa era monumentalista, tinha sido escolhido o pavilhão de exposições | |
| AERSET, contratados os melhores e mais famosos DJ do X-Club (nessa altura o maior | |
| fenómenos de popularidade de música de dança em Portugal), | |
| havia ambulâncias e uma equipa enorme de seguranças com um sistema | |
| de intercomunicadores que lhes permitia comunicar uns com os outros. O investimento | |
| que se tinha feito apontava para milhares de pessoas mas apenas algumas centenas | |
| por lá tinham passado. Já era de manhã quando, depois de | |
| muito correr ao longo da noite, procurando resolver problemas que seriam infinitamente | |
| maiores se tivesse a massa humana por que esperava, me sentei à entrada | |
| do recinto com um dos organizadores da festa, Nuno Braz. Era um jovem empresário | |
| ainda mal refeito do pesadelo que estava a viver. Esperava chamar o público | |
| que habitualmente frequentava as festas do X-Club, tinha investido milhares e | |
| agora mal podia conceber o pesadelo em que se enfiara voluntariamente. Como prémio | |
| de consolação restavam-lhe os pés a sangrar, uma vez que | |
| nem tinha escolhido o calçado mais conveniente. Trocámos números | |
| de telefone mas nunca mais soube dele ou da sua produtora.</FONT></P><P><FONT FACE="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" SIZE="2">Muitos | |
| outros exemplos poderiam ser dados para mostrar até que ponto é | |
| lento o processo de solidificação de um projecto. E mesmo quando | |
| se instala, é difícil manter a sua credibilidade e sobreviver às | |
| inconstâncias de um público que se alimenta de um entusiasmo fugaz, | |
| depressa se aborrecendo. Parafraseando um grupo muito dado à noite mas | |
| pouquíssimo interessado pela música de dança electrónica, | |
| "a noite nunca se importa", nem pelas suas vítimas nem pelos | |
| seus ídolos de prazo limitado.</FONT></P><P><FONT FACE="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" SIZE="2">Com | |
| António Cunha à sua frente, a Kaos iniciou em finais de 1992 a actividade | |
| de música de dança em Portugal, concentrando-se no centro-norte | |
| do país, realizando eventos e iniciando a edição de discos. | |
| As festas em castelos de província tornaram-se de tal maneira eufóricas | |
| que até convenceram a susceptível imprensa britânica, a viver | |
| dos destroços da cena balear (nas ilhas espanholas) e na ressaca das raves, | |
| transformadas em lúgubres celebrações do submundo. O nova-iorquino | |
| Rob Di Stefano, criador da influente editora Tribal (hoje Twisted) e que desde | |
| o início colaborou com a equipa da Kaos, não escondeu o seu entusiasmo, | |
| tendo considerado o país um "paraíso" para a cena de música | |
| de dança. O que levou a companhia de António Cunha e de Tó | |
| Pereira (também conhecido por DJ Vibe) a organizar em 95 uma espécie | |
| de "Magical Mistery Tour" dos anos 90, baptizada significativamente | |
| de "A Paradise Called Portugal". Tratava-se de uma excursão de | |
| uma semana em que todos os dias se realizava uma festa num local diferente. A | |
| "pureza" que os estrangeiros encontravam no nascente movimento permitiu | |
| à Kaos trazer alguns dos melhores DJ internacionais, que ficavam encantados | |
| e "publicitavam" as maravilhas do que em Portugal se estava a criar. | |
| A impulsionar a força do movimento, os Underground Sound of Lisbon lançaram | |
| um tema, "So get up", que se tornou um sucesso de vendas internacional. | |
| Com letra do californiano Darin Pappas (que depois se assumiu como um dos melhores | |
| letristas de hip-hop através dos Ithaka), "So get up" celebrava | |
| a vida à beira dos dias do apocalipse e era uma mensagem para todos os | |
| jovens aprenderem a afirmar-se, mesmo que o dia de amanhã se apresentasse | |
| nebuloso. Este discurso foi interiorizado com o tempo e a música de dança | |
| mais as suas festas tornou-se uma nova fonte de esperança e de júbilo | |
| para uma geração sem causas ou grandes expectativas. Os USL dispersaram-se | |
| depois: Rui Silva afirmando-se como produtor da Kaos e remisturador de faixas | |
| de pop; Tó Pereira, que já tinha participado nos LX-90 (transição | |
| da pop para a dance-music inspirada no fenómeno Madchester, quando os grupos | |
| de rock do norte da Inglaterra se entusiasmaram pelo movimento acid-house) afirmou-se | |
| depois como o primeiro DJ português no circuito internacional de house.<BR><BR>Por | |
| essa altura, outro DJ de renome e que fez parte do grupo inicial da Kaos, João | |
| Daniel, criou a Question of Time para lançar discos e organizar festas, | |
| motivado pelo sucesso "underground" das sessões de "after-hours" | |
| que vinha oferecendo acompanhado de uma equipa de jovens DJ no Climacz, uma discoteca | |
| de Lisboa que ficava numa subcave no Largo D. Estefânia. Outra personagem | |
| importante foi a sua mulher, a britânica Paula Fox, cujo conhecimento da | |
| cena no seu país ajudou a dar os primeiros passos de "dance music" | |
| em Portugal. João Daniel viria depois a implementar no Café Central | |
| uma vivência menos pesada da música de dança, embora insistindo | |
| no tecno-trance. De resto, João Daniel foi um dos primeiros cultores da | |
| música de dança como hoje a conhecemos, através do Pravda, | |
| uma discoteca que ficava na Caparica. E lançou ainda duas faixas relevantes, | |
| "The Way" e "... To Eden", revelando em cada uma destas, dois | |
| produtores de talento, respectivamente A. Paul e Model 9000 (Nuno Lopes, que também | |
| lançou o duplo-maxi "Perceptions", estando à frente, três | |
| anos depois, do projecto "Noites Longas" da Sony, em que eram assinadas | |
| remisturas de dança da música popular portuguesa).<BR><BR>Luís | |
| Leite, Mário Roque, Tó Ricciardi e Rui Vargas são nomes igualmente | |
| fundamentais e que ajudaram à eclosão da música de dança, | |
| fosse em discotecas de Lisboa (Alcântara, Kremlin, Frágil) fosse | |
| em clubes da linha do Estoril. Estes DJ tinham um substrato especial, fizeram | |
| a transição de géneros como o funk ou a pop electrónica | |
| para a música de dança electrónica com a uma vertente abstracta. | |
| Os DJ pioneiros foram também aqueles que mais facilmente integraram novos | |
| paradigmas musicais, uma vez que fizeram sempre do seu trabalho uma relação | |
| entre o reconhecimento do público e o perfume da novidade. O DJ "artista", | |
| com um estilo definido, em Portugal foi uma experiência funesta.<BR><BR>Em | |
| 96, o X-Club, ajudado por jovens promessas e alguns dos mais experientes DJ portugueses | |
| (Mário Roque depois baptizado X-Man e Luís XL Garcia) explodiu com | |
| grandes produções de tecno. Na Figueira da Foz, e com a presença | |
| do mais popular DJ internacional, Carl Cox, estiveram nesse ano presentes 14 mil | |
| pessoas. O sucesso crescente criou ambições desmesuradas e no Verão | |
| do ano seguinte foi organizada no Algarve um festival, "Neptunus", onde | |
| participaram quatro dezenas de artistas, muitos deles DJ de top internacional. | |
| A falta de experiência descambou em desastre. Inéditas situações | |
| de violência, desorganização e falta de condições | |
| logísticas resultaram num pesadelo, que desacreditou a produtora. Sucedeu-se | |
| depois a experiência da editora X-Club, com a chancela da multinacional | |
| MCA (também a Kaos entretanto se tinha aliado à Vidisco num acordo | |
| de distribuição de CD mais generalistas).<BR><BR>Surgiram as compilações | |
| e qualquer dos DJ de renome portugueses tem pelo menos uma. A proliferação | |
| de compilações, de que resultaram alguns grandes sucessos de vendas, | |
| veio revelar-se um presente envenenado. Para não perderem este comboio, | |
| as pequenas editoras de música de dança passaram a lançar | |
| os seus temas em edições generalistas sem antes passarem pela edição | |
| em vinil. Como ainda não tinha sido criado um circuito próprio de | |
| dança, desvalorizou-se a importância do máxi enquanto ferramenta | |
| do DJ a favor das edições em CD de vários artistas. O resultado | |
| é que apesar dos muitos produtores que viram os seus temas lançados, | |
| não deram continuidade ao seu trabalho e nunca chegaram a ter qualquer | |
| reconhecimento. Sem a protecção de um movimento solidificado, deu-se | |
| um passo no escuro. Não só ficou por conquistar um potencial público | |
| nacional, como se abriu mão do mercado internacional.<BR><BR>Zé | |
| Mig.L, um produtor que se estreou exactamente em editoras do Benelux (Minimalistix, | |
| DJax Up Beats) foi um dos poucos a romper fronteiras, apesar de o ter feito no | |
| circuito restrito da tecno minimal. Diversos artistas da Kaos seguiram o veio | |
| da Tribal/Twisted, mas já sem o impacto dos USL, que só o ano passado | |
| regressaram com um original, "Are You Looking For Me", que de qualquer | |
| maneira reanimou o interesse dos media anglo-saxónicos.<BR>A lição | |
| dos USL não ficou na memória dos artistas portugueses e os próprios | |
| USL parecem tê-la aproveitado parcimoniosamente. A música na maioria | |
| das festas tornou-se brutal, perdendo-se muito desse lado risonho e descontraído | |
| que assistiu ao nascimento do movimento. Com o fim das grandes festas, criaram-se | |
| acontecimentos mais pequenos, em clubes e locais à beira da praia. A Kaos, | |
| que deu depois origem à produtora de espectáculos Friends, é | |
| um exemplo disso, uma vez que depois de várias experiências acabou | |
| por se fixar no Rock's, em Gaia. Em ambientes mais urbanos, diversificou-se também | |
| a apetência por novas correntes estéticas (que em termos de edições | |
| só foram exploradas pela Khami Khazz, uma etiqueta da NorteSul; pela Lupeca, | |
| de Pedro Passos; ou pela Symbiose, onde se destaca Alex FX). À eclosão | |
| dessas tendências (jungle, big beat, trip-hop, house de fusão, etc), | |
| acrescente-se ainda o progressivo sucesso do "Goa-trance", com um estilo | |
| de música menos agressivo, cujo psicadelismo resulta em algum revisionismo | |
| "hippie". O "Boom Festival" foi nos últimos dois anos | |
| a celebração máxima deste culto musical.<BR><BR>Outra novidade | |
| é a integração dos ritmos ou modos de produção | |
| da música de dança em projectos enraizados na pop (Três Tristes | |
| Tigres), no acid-jazz/hip-hop (Cool Hipnoise) ou até na música tradicional | |
| (Megafone, de João Aguardela). Mais populistas, os fenómenos de | |
| boys-band e girls-band têm vindo a criar um público muito jovem que | |
| no entanto se interessa mais pelo formato tradicional da canção. | |
| Os Lunáticos foram nesse aspecto pioneiros. Nesse grupo, pontificava Alex | |
| Santos, um dos pioneiros da Kaos, editora que o ano passado fez lançar | |
| ainda o álbum de house e jungle de outro jovem, Paul Jay's.</FONT></P><P><FONT FACE="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" SIZE="2">A | |
| música de dança tem uma apetência universalista que nem mesmo | |
| o jazz (enraizado na música negra norte-americana) ou a pop (oriunda das | |
| culturas juvenis anglo-saxónicas) conseguiram generalizar. A tecno, a house, | |
| o jungle ou o big-beat são formas musicais alheias à nacionalidade | |
| e, tal como em outros países sem expressão fora das suas fronteiras, | |
| esperava-se que a música de dança portuguesa se disseminasse, mas | |
| isso nem veio a acontecer em Espanha, com a excepção de edições | |
| pontuais. O esforço de internacionalização - que implica, | |
| mais do que sucessos ocasionais, a criação de um circuito com promotores, | |
| editoras e distribuidoras - é ainda a prova de força por cumprir | |
| de um movimento que atravessa um impasse de crescimento. Alguns dos melhores DJ | |
| e produtores portugueses criaram uma credibilidade e profissionalismo que no entanto | |
| ainda não criou uma diferença marcante. É essa diferença | |
| que definirá o futuro internacional ou meramente localizado da música | |
| de dança. Entretanto, a costela africana do mundo lusófono continua | |
| por ser aproveitada...</FONT></P><P><FONT FACE="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" SIZE="2"><A HREF="espac99p.htm">Espaço | |
| 1999</A> </FONT></P> | |
| </BODY> | |
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