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2019-11-03
TDD na vida real com PHP
Níckolas Silva
nickolas@nawarian.xyz

Read in English (link externo!)

Antes de tudo

TDD têm várias técnicas a serem utilizadas, este post apresenta algumas delas. Se você está procurando se aprofundar mais no assunto, tem um livro bom pra ti: "Test Driven Development: By Example", por Kent Beck.

Todo código escrito aqui está disponível no repositório do github thephp.website.

Test-Driven Development na vida real com PHP

Modo enrolação: desligado (bora codar!)

Test Driven Development não é sobre escrever testes unitários, mas sim sobre escrever teste primeiro.

Testes não são a coisa mais importante, a gente escreve eles pra ter um ciclo constante de feedback durante o desenvolvidomento.

Com isso em mente, o nosso ciclo de desenvolvimento é o seguinte:

  1. Escreva um teste superficial, rode e veja-o falhar
  2. Faça este teste passar da forma mais burra possível
  3. Refatore a implementação até que não pareça mais tão burra assim

Antes do "como", vem o "porquê"

Existem algumas ótimas razões pra escrever testes primeiro. Vamos alinhar em algumas pra que tu possa ter uma ideia de por quê manter essa prática.

Escrever testes primeiro:

  • te força a saber o que você quer alcançar antes de começar a escrever código
  • te mantém focado(a) em seu objetivo
  • te provê uma estrutura com ciclo de feedback constante: alterar, salvar, verificar

Construindo um adapter para buscar metadados no Archive.org com TDD

Como um exemplo razoável, vamos construir um client que busca metadados sobre itens disponívels no site Archive.org.

O que sabemos:

  • Archive.org nos permite fazer o upload de arquivos e os chama de "Item"
  • Aqui há um exemplo de item identificado por "nawarian-test"
  • Um item contém multiplos arquivos, representando o arquivo em várias formas e seus metadados
  • Todo item contém metadados como data de criação, nome, arquivos...
  • Archive.org provê uma API para buscar metadados usando o seguinte URL: https://archive.org/metadata/<nome-do-item>

O que a gente quer:

Uma classe para buscar os metadados de um item no Archive.org e que nos retorne uma entidade chamada Nawarian\ArchiveOrg\Item\Metadata.

Vamos construir um setup básico pra escrever nosso teste que garanta o que a gente quer!

Configuração do ambiente de teste

Rapidex: vamos criar uma pasta para o nosso projeto, instalar os pacotes necessários e botar os testes pra rodar. O meu setup normalmente vem com PHPUnit e Mockery:

$ mkdir archive-org-client/ && cd archive-org-client
$ composer require phpunit/phpunit mockery/mockery
$ ./vendor/bin/phpunit --generate-configuration

Ao gerar as configurações do phpunit, a ferramenta vai lhe perguntar sobre diretório de testes e outras coisas. Vamos pegar as opções padrão pra tudo aqui (só aperta "enter").

A configuração padrão diz que os nossos testes ficam dentro da pasta tests, e o nosso código fica dentro da pasta src. Vamos criá-las:

$ mkdir tests src

A gente também precisa configurar o autoloader do composer. Vamos atualizar o arquivo composer.json, vai ficar assim:

Arquivo: composer.json

{
    "require": {
        "phpunit/phpunit": "^8.4",
        "mockery/mockery": "^1.2"
    },
    "autoload": {
        "psr-4": {
            "Nawarian\\ArchiveOrg\\": "src/"
        }
    },
    "autoload-dev": {
        "psr-4": {
            "Nawarian\\ArchiveOrg\\Test\\": "tests/"
        }
    }
}

Atualizado o composer.json, vamos gerar o autoloader novamente:

$ composer dump-autoload

Agora a gente pode criar a nossa classe de testes e começar a brincadeira!

Arquivo: tests/ClientTest.php

<?php

namespace Nawarian\ArchiveOrg\Test;

use PHPUnit\Framework\TestCase;

class ClientTest extends TestCase
{
    public function testMyTest(): void
    {
        $this->assertTrue(true);
    }
}

E podemos rodar o phpunit normalmente:

$ ./vendor/bin/phpunit -c phpunit.xml

Muintcho beeim! Com o teste configurado e rodando, vamos começar com o TDD.

1. Escreva um teste superficial, rode e veja-o falhar

Novamente, nosso objetivo é: uma classe para buscar os metadados de um item no Archive.org e que nos retorne uma entidade chamada Nawarian\ArchiveOrg\Item\Metadata.

Nosso teste vai então se parecer com o seguinte:

Arquivo: tests/ClientTest.php

<?php

namespace Nawarian\ArchiveOrg\Test;

use PHPUnit\Framework\TestCase;

class ClientTest extends TestCase
{
    public function testClientFetchesMetadata(): void
    {
        $client = new \Nawarian\ArchiveOrg\Client();

        $metadata = $client->fetchMetadata('nawarian-test');

        $this->assertSame('nawarian-test', $metadata->identifier());
        $this->assertSame('2019-02-19 20:00:38', $metadata->publicDate());
        $this->assertSame('opensource', $metadata->collection());
    }
}

Pronto! A gente precisa de um Client que contém um método fetchMetadata(), que receba uma string identifier (nawarian-test neste caso).

A gente também quer que o retorno seja um objeto com os métodos identifier(), publicDate() e collection(), retornando cada um os valores disponíveis na API.

Salve o arquivo, rode o phpunit e veja o teste falhar.

2. Faça este teste passar da forma mais burra possível

O primeiro erro que vemos diz que a classe Client não foi encontrada: Class 'Nawarian\ArchiveOrg\Client' not found.

Corrigir este é bem simples, criamos uma classe com o mesmo FQN. Dentro da pasta src/, claro.

Arquivo: src/Client.php

<?php

namespace Nawarian\ArchiveOrg;

class Client
{
}

Salve, rode o phpunit. O próximo erro diz Call to undefined method Nawarian\ArchiveOrg\Client::fetchMetadata(). Ainda mais fácil, basta escrever o método na classe Client:

public function fetchMetadata(string $identifier): object
{
    return new \stdClass();
}

Salve, rode o phpunit. O próximo erro diz Call to undefined method stdClass::identifier(). Vamos então usar uma classe anônima pra acabar com esses erros e seguir em frente!

public function fetchMetadata(string $identifier): object
{
    return new class {
        public function identifier(): string
        {
            return '';
        }

        public function publicDate(): string
        {
            return '';
        }

        public function collection(): string
        {
            return '';
        }
    };
}

O que falta agora é fazer o teste passar da forma mais burra possível. Eu consigo somente pensar em retornar direto os valores que passa no teste:

public function fetchMetadata(string $identifier): object
{
    return new class {
        public function identifier(): string
        {
            return 'nawarian-test';
        }

        public function publicDate(): string
        {
            return '2019-02-19 20:00:38';
        }

        public function collection(): string
        {
            return 'opensource';
        }
    };
}

Massa! Os testes passaram! É hora de fazer uma implementação de verdade, pra poder buscar os metadados da API em si. A partir deste momento a gente inicia o ciclo constante de feedback durante o desenvolvimento.

3. Refatore a implementação até que não pareça mais tão burra assim

O termo até que é extremamente importante aqui. Nós estamos no último passo, mas também o passo que mais se repete.

Isto significa que nós vamos continuar retornando a este passo até que estejamos contentes com a implementação.

3.1 Introduzindo a classe Item\Metadata

A primeira coisa que eu sinto ser necessária é escrever a entidade Metadata, desta forma a gente pode remover a classe anônima. Vamos lá:

Arquivo: src/Item/Metadata.php (métodos copiados da classe anônima em Client)

<?php

namespace Nawarian\ArchiveOrg\Item;

class Metadata
{
    public function identifier(): string
    {
        return 'nawarian-test';
    }

    public function publicDate(): string
    {
        return '2019-02-19 20:00:38';
    }

    public function collection(): string
    {
        return 'opensource';
    }
}

Vamos atualizar a implementação em Client::fetchMetadata(). Observe como o retorno do método mudou para Metadata.

Arquivo: src/Client.php

// ...

use Nawarian\ArchiveOrg\Item\Metadata;

// class Client...

public function fetchMetadata(string $identifier): Metadata
{
    return new Metadata();
}

Salve, rode o phpunit. Os testes ainda estão passando. Estamos indo bem!

3.2 Receber os dados no construtor da entidade Metadata

Em vez de escrever os resultados direto no arquivo da classe Metadata, vamos delegar a responsabilidade de montar os dados para a classe Client e recebê-los no construtor de Metadata.

Arquivo: src/Item/Metadata.php

class Metadata
{
    private $identifier;

    private $publicDate;

    private $collection;

    public function __construct(string $identifier, string $publicDate, string $collection)
    {
        $this->identifier = $identifier;
        $this->publicDate = $publicDate;
        $this->collection = $collection;
    }

    public function identifier(): string
    {
        return $this->identifier;
    }

    public function publicDate(): string
    {
        return $this->publicDate;
    }

    public function collection(): string
    {
        return $this->collection;
    }
}

E agora vamos delegar a responsabilidade de montar os dados para a classe Client.

Arquivo: src/Client.php

public function fetchMetadata(string $identifier): Metadata
{
    return new Metadata('nawarian-test', '2019-02-19 20:00:38', 'opensource');
}

Salve, rode o phpunit. Ainda está verde. Continuemos.

3.3 Chamando a API para buscar dados de verdade

Client ainda está produzindo dados falsos, o que não é bem útil. Vamos usar a API do archive.org pra buscar os dados que precisamos.

Lembrando que o endpoint é https://archive.org/metadata/<identificador>. Então invocar o método Client::fetchMetadata() passando nawarian-test como identificador (os teste que escrevemos já faz isso), nós deveríamos chamar https://archive.org/metadata/nawarian-test.

Eu vou implementar isto rapidinho usando file_get_contents().

Arquivo: src/Client.php

public function fetchMetadata(string $identifier): object
{
    $jsonData = file_get_contents("https://archive.org/metadata/{$identifier}");
    $decoded = json_decode($jsonData, true);
    $metadata = $decoded['metadata'];

    return new Metadata(
        $metadata['identifier'],
        $metadata['publicdate'],
        $metadata['collection']
    );
}

Salve, rode o phpunit. Testes estão passando e... nós atingimos nosso objetivo!

Continue refatorando ou pare por aqui

A ideia do ciclo de feedback descrito no passo 3.3 é implementar nosso código com base num objetivo bem definido.

Você encontrá vários momentos de "aaah", e vai querer implementar da melhor forma possível desde o incício. Não caia nessa armadilha!

Quanto maior o tempo você passa sem feedback (sem ver os resultados dos testes), maiores são as chances de quebrar o seu código sem entender onde ocorreu o problema.

Sempre que você encontrar algo que sinta ser muito importante, anote e continue indo em frente! Bote esta anotação como a próxima coisa a resolver no seu ciclo, mas não interrompa a iteração atual.

Eu posso exemplificar algumas coisas que eu gostaria de ter feito nessa implementação:

  • usar um client http compatível com a PSR-18 e remover a chamada à função file_get_contents()
  • quebrar este teste em unitário e de integração
  • um mecanismo de hydration melhor para a classe Metadata

Também importante notar que nós não testamos nenhum caso de exceção. Estes testes devem ser criados também! Como deveria a nossa classe se comportar quando identificador não existe no archive.org?

Quanto mais você escreve código, mais você irá querer escrever código. Seu trabalho aqui é entender quando parar e iniciar o próximo tópico.

Nunca se esqueça de manter o ciclo de feedback em andamento: refatore, salve, rode o phpunit.

É isso. Não tem mais motivo pra esperar pra implementar TDD.

Bora codar, leia o livro do Kent Beck e sinta-se convidado(a) a me dar um toque pra discutir ou perguntar coisas.

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