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Invariante Q

matheus-fsc edited this page Sep 17, 2026 · 2 revisions

O invariante de deficit Q

O resultado central do projeto.

A anomalia

Todo tour fechado está no espaço de ciclos Z_1 = H_1(G; F_2), de dimensão beta_1 = |E| - |V| + 1 (ver Teoria-GF2). A pergunta: os tours geram esse espaço?

Não. Medindo o rank do espaço gerado por todos os tours de um tabuleiro:

n beta_1 rank(Ham) deficit
6 45 42 3
8 105 102 3
10 189 186 3
12 297 294 3

Sempre 3. Esse deficit é o invariante Q.

Ressalva de prior art (leia antes)

Que o grafo do cavalo não seja Hamilton-generated, isto é, que `deficit

0, **é conhecido**. Heinig (2013) observou que delta(G) >= 3é necessário para os ciclos hamiltonianos gerarem o espaço de ciclos, e o cavalo tem quatro cantos de grau 2. O argumento é elementar: sedeg(v) = 2com arestase_1, e_2, todo tour contém ambas, logo todo tour satisfaz x_{e1} = x_{e2}`, um hiperplano próprio.

O conteúdo desta página não é a existência da obstrução. É:

  1. o valor exato 3, via o colapso 4 -> 3 pelo núcleo do funcional soma;
  2. a constância em n;
  3. a localidade nos cantos;
  4. a tightness: não há outras obstruções.

O enquadramento geral tem nome na literatura: Hamilton space. Ver Prior-Art.

Q(n) = 3

Provado estruturalmente para n >= 6, via 4 representantes independentes mais o kernel da soma, e verificado computacionalmente em n = 8 (rank 102) e n = 12 (rank 294).

A prova geral depende da conexidade do bulk (o tabuleiro menos os cantos), demonstrada por indução n -> n+2 com bases em n = 6 e n = 7, e verificada computacionalmente até n = 30.

Q é local, e mora nos cantos

O resultado mais informativo não é o valor 3: é onde os 3 graus de liberdade se perdem.

Teorema de localidade. Para um conjunto S de vértices removidos, Q(G_T \ S) = 3 se e somente se W_corners ⊆ S. Em geral, Q = max(0, k_deg2 - 1), onde k_deg2 é o número de cantos com grau 2.

Verificado em n ∈ {6, 8, 10}. Existem 24 configurações de canto fixas para n >= 6.

Em palavras: os 4 cantos do tabuleiro têm grau 2 no grafo do cavalo, e arestas incidentes a vértices de grau 2 são obrigatórias em qualquer tour. Cada canto assim força uma restrição; quatro cantos forçam quatro, mas uma delas é dependente das outras, daí 4 - 1 = 3.

Identidade fechada

A reformulação por coset dá

Q = 8 - c(Punc)

onde c(Punc) é o número de componentes do grafo perfurado. Essa forma evita o quociente F_2^E / row(∂_1) e é a que foi levada para o Lean.

Tightness

Q diz quanto se perde. Tightness é a afirmação de que não se perde mais nada: rank(Ham) = beta_1 - Q.

  • Reduzida a: tightness <=> Z_bulk ⊆ Span(Ham), com dim Z_bulk = beta_1 - 4.
  • Provada por certificados em n ∈ {6, 8, 10, 12, 14} e nos retângulos 6×7 e 6×8, exibindo pares de tours cujo XOR é um hexágono do bulk, cada certificado auditado individualmente (grau 2 em todo vértice, existência de cada aresta, componente única) e sem amostragem.
  • Rank cheio com folga: 101/101 em n=8, 185/185 em n=10, 293/293 em n=12. Os 1,7-13,2% de hexágonos sem certificado não são necessários.
  • Duas rotas independentes (certificação dirigida e flips hexagonais) concordam, e erram de formas diferentes.
  • O caso 6×8 é o mais forte: 48 casas, enumeração inviável, e a tightness foi estabelecida sem conhecer o conjunto de tours, bastou certificar hexágonos até o rank atingir dim Z_bulk = 65.
  • Verificada em todos os 10 pontos da família híbrida toro→plano.

Cuidado metodológico registrado: a verificação empírica da tightness precisa de K >= 250k amostras. Com 20k aparecem falsos contraexemplos.

Os cantos dão só a cota superior

Este é o ponto que separa o que está entendido do que não está.

Os tabuleiros 5×6 e 5×8 têm exatamente a mesma estrutura de cantos, quatro vértices de grau 2, bulk conexo, Q = 3, e deficit 27 e 9.

Portanto bulk conexo e Q = 3 não implicam tightness. Os cantos determinam a cota superior (dim Ham <= beta_1 - 3); o que separa os casos tight é a cota inferior, Z_bulk ⊆ Ham.

Qual parâmetro governa essa cota permanece em aberto. As duas hipóteses naturais (bounding box e comportamento de borda) foram ambas refutadas: as mesmas formas se realizam em 5×10, na mesma posição. A obstrução do 5×8 desaparece ao alongar o tabuleiro, o que é incompatível com qualquer explicação por gadget local.

O que Q não é

A obstrução rank < beta_1 não é hamiltonicidade. O rank do espaço gerado pelos 2-fatores do 6×6 é o mesmo 42. O que falta aos 2-fatores para serem tours é conectividade, e conectividade é invisível para o rank.

Ver também Topologia, onde Q muda quando a borda desaparece, e Formalizacao-Lean.

Código: experiments/06_invariante_Q/

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