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Prior Art

matheus-fsc edited this page Sep 17, 2026 · 2 revisions

Prior art

Registro honesto do que já existia e do que sobrou. Este documento existe porque a descoberta de que boa parte do trabalho já estava publicada foi o evento que mudou o rumo do projeto, e escondê-la tornaria o repositório enganoso.

A auditoria completa, com citações e trechos dos originais, está em docs/notas-pesquisa/citation_audit.md (agosto de 2026) e nos dois índices de bibliografia em docs/notas-pesquisa/bibliografia-{teoria,algoritmos}.md.


1. O algoritmo: totalmente prior art

O solver de core/knight_tours.py (backtracking em variáveis-aresta + propagação de grau 2 + union-find incremental de sub-ciclos) é o multi-path method, com correspondência termo a termo:

neste repositório literatura
FREE / ACTIVE / INACTIVE undecided / required / deleted, rotulação de Rubin (1974)
avail == 2 força aresta forced vertex → forced edge
_process_queue até esvaziar a chain reaction até consistência
union-find de segmentos Kocay (1992)

Referências: Rubin (1974), Christofides (1975), Kocay (1992), Chalaturnyk (2008).

2. O XOR de ciclos: prior art, e o resultado negativo também

A ideia de combinar ciclos fundamentais por XOR é o circuit vector space method, de Welch (1966) e Mateti-Deo (1976).

Mais duro: o resultado negativo já era teorema em 1976. Mateti e Deo provaram que a razão tours / 2-fatores tende a zero e que enumerar por uniões de circuitos é desperdício assintótico. A medição independente feita aqui (r ≈ 0.84 · e^(-0.17n)) confirma um teorema de 49 anos atrás.

E ambos os métodos já foram aplicados ao grafo do cavalo especificamente. O 6×6 com 9862 tours é linha de tabela publicada.

Outros itens da mesma categoria:

  • flips por face sobre tours = Z-transformation, Sheffield (2000);
  • cláusulas XOR em solvers = DPLL(XOR), técnica padrão, o speedup medido de 1,00x era previsível.

3. O enquadramento tem nome próprio: Hamilton space

Este foi o achado mais importante da auditoria, e não estava no radar do projeto.

O que aqui se chamou Ham(n) ⊆ Z_1 e deficit = beta_1 - rank(Ham) é, na literatura, o Hamilton space C_n(G) e sua codimensão em C(G). Um grafo com C_n(G) = C(G) é dito Hamilton-generated. É uma área ativa:

trabalho relevância
Heinig (2013), When Hamilton circuits generate the cycle space of a random graph origem da pergunta
Hou & Yin (2025), Dirac-type condition for Hamilton-generated graphs resolve o caso Dirac; cunha o termo
Hefetz & Krivelevich (2025), duas notas sobre grafos aleatórios e regulares estado da arte
Christoph, Nenadov & Petrova (2024), The Hamilton space of pseudorandom graphs introduz parity-switchers
On graphs whose cycle space is spanned by their Hamilton cycles (2026) survey da área

3.1 deficit > 0 também é prior art

Heinig observou que delta(G) >= 3 é necessário para Hamilton-generation. O argumento é elementar: se deg(v) = 2 com arestas e_1, e_2, todo ciclo hamiltoniano contém ambas, logo todo tour satisfaz x_{e1} = x_{e2}, um hiperplano próprio contendo C_n(G).

O grafo do cavalo tem delta = 2 nos quatro cantos. Portanto a existência da obstrução é conhecida, não é descoberta deste projeto.

4. Superfícies: parcialmente escooped

A hierarquia de Q por superfície (plano 3, cilindro 0, toro 0, Klein) não foi construída no vácuo, embora tenha sido derivada sem conhecer a literatura:

trabalho o que cobre
Watkins (2004), Across the Board capítulos sobre toro, cilindro, Möbius e Klein
Forrest & Teehan (2015), The Topology of Knight's Tours on Surfaces caracterizam quais dimensões de cilindro e toro admitem tours realizando a identidade de pi_1 versus um gerador
Forrest & Lague (2024), Nullhomotopic and Generating Knight's Tours on Non-Orientable Surfaces mesmo programa para Möbius e Klein

A diferença que sobrevive: esses trabalhos respondem uma pergunta de existência ("existe tour na classe X?"). As medições deste projeto respondem uma pergunta de distribuição ("que fração dos tours cai em cada classe?"): 4 classes com ~25% cada no toro em 20k tours, winding 50/50 no cilindro em 18k tours. Equidistribuição é estritamente mais forte que existência, e não aparece nesses papers.


5. O que sobra como contribuição

Com as ressalvas acima já descontadas:

  1. O valor exato deficit = 3, não apenas > 0. O colapso 4 -> 3 (quatro cantos, três dimensões, via o núcleo do funcional soma) é onde está a matemática.
  2. A constância em n: o deficit não cresce com o tabuleiro.
  3. A localidade: Q(G_T \ S) = 3 <=> W_corners ⊆ S, e Q = max(0, k_deg2 - 1).
  4. A conexidade do bulk (n >= 6, indução n -> n+2), ingrediente geométrico não-trivial.
  5. A formalização em Lean 4, sem sorry.
  6. Tightness (rank(Ham) = beta_1 - 3 exatamente), provada por construção em n ∈ {8,10,12}.
  7. Equidistribuição por classe de homologia nas superfícies (§4).
  8. Os resultados negativos documentados: em especial o diagnóstico de que conectividade não é uma condição linear sobre F_2^E, testado e confirmado em cinco domínios.

O reposicionamento que a auditoria sugere

A literatura de Hamilton space opera no regime denso/pseudoaleatório (condições tipo Dirac, delta(G) >~ n/2), onde o deficit tipicamente é zero. O grafo do cavalo está no extremo oposto: esparso (|E| ≈ 4|V|), grau máximo 8, grau mínimo 2.

Lido assim, o resultado deixa de ser "um invariante ad hoc" e passa a ser o primeiro exemplo estruturado de deficit positivo, exato e constante numa família esparsa natural, determinado por geometria local, complementar à literatura existente, não concorrente com ela.

6. Estado das pendências da auditoria

A auditoria é de 06/08/2026. O paper corrente (knight_tour_tightness, v5, 15/08/2026) já a incorporou. Registro do que foi feito:

pendência estado
citar a literatura de Hamilton space resolvido. Heinig 2013/2014, CNP2026, Hou-Yin, Hefetz-Krivelevich a/b, HamGen2026 na bibliografia (31 itens)
dizer que deficit > 0 é prior art resolvido. os cantos passam a dar explicitamente só a cota superior
adotar parity-switchers resolvido. e com um ganho: provada a dicotomia canto/bulk (um parity-switcher ancorado em canto é impossível em G_n, porque o canto teria grau 2 e seus dois vizinhos são removidos no passo S3)
ler Hartman (1983) resolvido. citado
superfícies: Watkins, Forrest-Teehan resolvido, com distinção explícita: o Q deste trabalho é o invariante algébrico de vértices de grau 2; o Q topológico da literatura é por classes de winding. Coincidem no plano e divergem alhures
lei N(n) ~ 1,82^(n²) retirada do texto, com registro no changelog

Um item que a auditoria não previu

A auditoria não pedia, mas o paper encontrou: o deficit nulo no toro não é acidente da superfície. O grafo do cavalo toroidal é um grafo de Cayley sobre Z_n × Z_n, e deficit zero é corolário de um teorema de Alspach, Locke e Witte (1990). O que elimina o deficit é a transitividade por vértices, toda aresta equivalente a toda outra, e não a topologia. No plano, a fronteira quebra a transitividade e cria exatamente os vértices de grau 2 que geram Q = 3.

Plano versus toro é, em essência, com fronteira versus sem fronteira.

E um erro da minha leitura anterior deste repositório

Uma versão anterior deste documento afirmava que a hierarquia de Q por superfície era contribuição própria. Não é, na forma em que estava escrita, e o paper corrente já a reposiciona corretamente. O que sobrevive ali é a distinção algébrico/topológico e a medição de distribuição (equidistribuição por classe) onde a literatura estabelece existência.

Referências

  • Rubin, F. (1974). A search procedure for Hamilton paths and circuits.
  • Christofides, N. (1975). Graph Theory: An Algorithmic Approach.
  • Welch, J. T. (1966). Circuit vector space method.
  • Mateti, P., Deo, N. (1976). On algorithms for enumerating all circuits of a graph.
  • Hartman, I. B.-A. (1983). Long cycles generate the cycle space of a graph. European J. Combin. 4, 237-246.
  • Kocay, W. (1992). An algorithm for finding Hamiltonian cycles.
  • Sheffield, S. (2000). Z-transformation.
  • Watkins, J. J. (2004). Across the Board: The Mathematics of Chessboard Problems. Princeton UP.
  • Chalaturnyk, A. (2008). A fast algorithm for finding Hamilton cycles (tese).
  • Heinig, S. (2013). When Hamilton circuits generate the cycle space of a random graph. arXiv:1303.0026.
  • Forrest, B., Teehan, K. (2015). The Topology of Knight's Tours on Surfaces. arXiv:1507.02917.
  • Christoph, M., Nenadov, R., Petrova, K. (2024). The Hamilton space of pseudorandom graphs. arXiv:2402.01447.
  • Forrest, B., Lague (2024). Nullhomotopic and Generating Knight's Tours on Non-Orientable Surfaces. arXiv:2406.05226.
  • Hou, Yin (2025). Dirac-type condition for Hamilton-generated graphs. arXiv:2503.15950.
  • Hefetz, D., Krivelevich, M. (2025). The Hamilton cycle space of random graphs. arXiv:2506.19731; ...random regular and randomly perturbed graphs. arXiv:2507.04488.

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